terça-feira, 1 de março de 2011

Escargô em Marrakesh

Ontem fomos ao Palácio Bahia (nada a ver com os baianos). Lindo! A arte islâmica é muito delicada, parece um sonho das 1001 noites. Eles sabem louvar Allah e mostrar sua semelhança com Ele pela sua arte.

Depois ficamos nos perdendo pelos souks, o enorme labirinto de mais de quinhentos becos, cheios de gente e coisas para comprar. Mais, muito mais de quinhentos. Um leva ao outro mas tudo sempre vai dar em nada ou na Praça Jemaa El Fna.
Quando fizemos o blog, a foto de abertura era uma coisa meio doida e desconhecida. Agora conheço cada cantinho daqueles; passamos e as pessoas nos cumprimentam. Essa é a vantagem de ficar dias num lugar, vais conhecendo as coisas e as pessoas.
Isso não quer dizer que aprendemos o caminho para o nosso Riad...não...vivemos nos perdendo porque descrever não dá. São milhões de becos em que se entra, alguns escuros, em outros lindas lojas de tapetes.

Acabamos no pôr-do-sol comendo escargô e linguiça de carneiro com pão, sentados naquele lugar louquíssimo, que já sinto saudades antes mesmo de ter ido embora.

Uma coisa impressionante daqui é a limpeza das ruas, da Praça, dos banheiros. É tudo Blumenau, sem exagero. Qualquer banheiro é limpo e com papel higiênico, nenhum lixo ou papéis pelas ruas, impressionante.

Estou sentindo o cheiro daqui, essa mistura de perfume, flor e tempero. Nas ruas xixi também, claro. Nice always to me! Lindo, exótico, caloroso é o que posso dizer daqui. Mas mexe com a gente! Dormimos pouco, sonhamos, resolvemos coisas da nossa vida durante as noites, naquele misto de sonho e realidade.

No final da viagem vou fazer considerações gerais sobre tudo. O que vale a pena, o que eu cortaria etc...
Mas agora quero fazer uma revelação de estado interno. Me sinto diluída! Sabe quando pegam as cinzas de um defunto e jogam ao vento...assim. Sou tudo, estou em tudo e não sou nada particular.

As diferenças são tão grandes que no final chegas à unidade. Sou boa e má, muitas e só, marroquina e gasparense, indiana e usbeque. Tudo igual! Humanos, cada um se virando como pode, de acôrdo com seus condicionamentos ou tentando se livrar deles e SER LIVRE!

Para mim hoje em dia rezar é isso. Estar no mundo, com meus semelhantes, vendo cada um em mim. Não ser desse mundo e pairar nesse conjunto de vidas e não vidas, sendo parte desse universo como um nada.








Quando procuramos um nome para o blog, minha filha me disse: "ficou legal, marrocos lavou eu". Está lavando, filha! Embora eu ande sempre suja, imagina a poeira desse lugar e das mercadorias. Nem ligo mais...Sou pó!

2 comentários:

Unknown disse...

Que legal, mãe! Que maravilha estares vivendo essas coisas e te familiarizares com o estado de pó, que é de onde viemos e para onde voltaremos. Ao mesmo tempo, o espírito nas alturas! Estou orgulhosa de ti, e com saudades.

Unknown disse...

É bom demais ouvir/ler isso Tania. Coisas tão difíceis de exprimir em palavras, e que fazem tanto sentido qdo comunicadas assim.
Estou curtindo demais viajar c/ vcs e me sentindo mt grata pela oportunidade de ver e perceber um pouco disso tudo.
beijo grande nos dois