Desde Rabat já estava tudo bastante estranho, como já falamos. Ainda assim, considerando que estavamos vindo para a cidade que é considerada a capital espiritual do Marrocos, confesso que esperava que alguma coisa houvesse ali. Nada. Ou melhor, ou pior, há quatrocentas e tantas mesquitas... Pode ser a capital religiosa, mas espiritual não sei.
Bom, não quero julgar, nem jogar para cima da cidade toda a 'mala onda'. Mas também não quero ser tão ingênuo a ponto de não me permitir perceber qual é a energia impregnada em um lugar. Pelo menos neste momento. Parece que a única coisa realmente preservada ali é o palácio do rei (muito significativo, não?). O resto está literalmente caindo aos pedaços. Mais uma vez, como já aconteceu em Delhi, na viagem anterior, e agora em Casablanca, Rabat etc. parece que tudo vai ficar muito bonito. Vai ficar um dia, porque no momento está péssimo. Eu, que estava tão bem impressionado com a limpeza no Marrocos, me deparei com a maior esculhambação e desleixo pra cá de Marrakech. Shame on the king.
A onda estava péssima. Até sairmos de Fes. Às vezes fico pensando que, se quer me ver feliz, basta me levar ao campo. Talvez tenha acontecido a soma das duas coisas. De um lado, me livrar daquele caos que é, pelo menos neste momento, Fes. De outro, confesso que não sou muito amante de cidades. Nesse quesito, let me tell you, esta região do Marrocos é maravilhosa; campos tão lindos, que nos sentíamos passeando pela Toscana. Sem exagero, gente! Não sei se as fotos serão capazes de mostrar isso, até porque estávamos viajando com o Sol a pino, o que prejudica muito as fotos. E, além disso, não vou poder passar as fotos hoje porque ainda não as baixei. A propósito, todo o 'rolo' que deu com o computador, a impossibilidade de baixar as fotos e tudo, bastou sair de Fes, sem precisar sacrificar carneiros nem nada para calar a boca dos djins, resolvemos tudo.
Só me permita comentar rapidamente a coisa do que é dirigir aqui. As estradas são muito boas, com sinalização impecável etc., como já havia mencionado, mas as pessoas fazem o que lhes dá na telha. Para começar, simplesmente se negam a andar na faixa (dá para acreditar?), vão SEMPRE com uma roda em cada pista. É um saco! E, se querem trocar de faixa, simplesmente o fazem! Assim de simples. Me lembram minha irmã, que quando acionava o 'pisca', com o mesmo movimento já ia virando o volante. Ora, os dois estão tão juntos, não é? Nas estradas, ainda não é tão ruim, até porque elas não são muito cheias. Mas nas cidades, não sei se escuto mais buzinas ou 'Marcos, cuidado!' E, claro, sou obrigado, como bom turista, a fazer 'bahianada' o tempo todo. E ainda estou aqui a criticar os caras! É muita cara de pau, né?
Afinal, fiquei impressionado de perceber melhor onda em Volubilis (uma cidade romana, coisa que eu, em princípio julgaria como menor) do que em Fes. É, parece que esta viagem tem como tônica romper com minhas crenças...
Agora, nessa coisa doida que é o mundo em que vivemos, finalmente estou na cidade em que viveu o Sirdar, a quem sou tão imensamente grato, tomando meu segundo Jack Daniels, fumando um Camel, enquanto escuto uma música cubana num hotel à beira-mar, numa praia que mais parece Balneário Camboriu só que cheia de tamareiras. Assim é. A verdade é a única realidade.
Um comentário:
Até agora, o que me parece que é a verdadeira merda é só uma coisa: a EXPECTATIVA! hehehe.
Lembrem-se: Rue de la Plage, 21. CUIDADO COM OS CAMINHÕES DE COCA-COLA!!
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